Você Não Está Perdido Onde Pensa Que Está
- Nei Machado

- 16 de jun.
- 4 min de leitura
Atualizado: 19 de jun.

Se eu lhe entregasse um mapa e pedisse para encontrar um tesouro escondido, provavelmente a primeira coisa que você faria seria procurar o local marcado.
É exatamente isso que todos fariam. O problema é que a vida não funciona assim.
Aconselhando e caminhando com homens por muitos anos, pude perceber algo que para mim se tornou natural. A maioria das pessoas passa anos procurando respostas para seus problemas nos lugares mais óbvios. Quando enfrentam uma dificuldade no casamento, querem melhorar o casamento, quando passam por uma dificuldade financeira, elas pensam que mais dinheiro vai resolver o problema, já os ansiosos por sua vez desejam desesperadamente resolver a ansiedade para que sua vida seja menos estressante. O mesmo acontece com aqueles que lutam contra vícios, pornografia, comportamentos destrutivos e tantas outras questões.
Isso parece lógico, mas nem sempre é. Com o tempo, percebi que muitos dos problemas que enfrentamos não estão onde imaginamos que estejam.
Na grande maioria das vezes, os problemas não nascem onde aparecem, A dificuldade no casamento não nasce necessariamente no casamento, a dificuldade financeira não nasce no dinheiro, a falta de disciplina não nasce da preguiça, a insegurança não nasce da situação atual. O que você está vivendo hoje costuma ser apenas a parte visível de algo muito mais antigo.
Gosto daqueles filmes em que os personagens encontram pegadas em uma trilha no meio da mata, as pegadas são reais, elas estão ali, mas elas não são a origem da caminhada, são apenas os rastros.
Fica ainda mais interessante quando lembro do que Agur escreveu no livro de Provérbios:
“Há três coisas misteriosas demais para mim; quatro que não consigo entender: o caminho do abutre no céu, o caminho da serpente sobre a rocha, o caminho do navio em alto-mar e o caminho do homem com uma moça.”
Não quero me deter na análise do texto, mas existe algo em comum nesses quatro exemplos: todos revelam uma passagem, mas nenhum preserva a trilha.
Talvez seja por isso que tantos homens passam anos tentando mudar a própria vida sem conseguir resultados duradouros. Eles estão tentando atacar aquilo que conseguem perceber, mas a origem já não está mais lá. Tentam controlar sintomas, corrigir comportamentos e administrar consequências, mas raramente param para perguntar: “O que está produzindo tudo isso?”
Essa pergunta parece simples, mas não é, na prática, ela muda completamente a forma como enxergamos nossa própria história. Existem momentos em que a maior descoberta não é encontrar uma resposta, mas perceber que estamos fazendo a pergunta errada.
Ao longo da minha caminhada, tanto observando minha própria história quanto acompanhando outras pessoas, percebi algo que se repete com frequência. Muitos homens sabem exatamente o que desejam mudar, saber não é suficiente, precisamos compreender o fato de continuarmos repetindo aquilo que não queremos mais.
Existe uma distância entre saber que precisamos tomar decisões diferentes, agir ou reagir de forma diferente, e realmente conseguir colocar esse conhecimento em prática.
Esse espaço entre o conhecimento e a prática esconde muito mais coisas do que imaginamos. Histórias não resolvidas experiências esquecidas, feridas mal compreendidas, crenças construídas sem questionamento, até padrões que foram se tornando tão familiares que passaram a parecer parte da própria identidade.
Com o tempo, deixamos de perceber que estamos carregando certas coisas. Elas simplesmente passam a fazer parte da paisagem, como alguém que mora há anos perto de uma estrada e já não percebe mais o barulho dos carros.
Talvez a jornada de transformação comece exatamente aqui, não quando encontramos respostas, mas, quando voltamos a enxergar perguntas ou quando percebemos que aquilo que sempre consideramos normal talvez mereça ser investigado, inclusive quando temos coragem de olhar para algo que evitamos por muito tempo e aceitamos a possibilidade de que a origem do problema não esteja onde sempre procuramos.
Criei este espaço justamente para isso. Não quero entregar fórmulas prontas, tampouco você encontrará aqui respostas rápidas e certamente não me verá prometendo mudanças instantâneas.
A proposta que tenho para você é outra.
Comecei falando sobre um mapa porque gosto mais da ideia do mapa do que do GPS. No GPS, tudo já vem pronto, mas, no mapa, você encontra seu caminho. O mapa mostra uma direção, mas não fala sobre o tamanho das montanhas, a profundidade dos rios ou os desafios que surgirão durante a caminhada. O mapa oferece orientação, porém a jornada continua sendo sua.
Isso me faz lembrar das brincadeiras de caça ao tesouro da infância. A dinâmica era simples: uma pista levava a outra até que, em algum momento, encontrávamos aquilo que estávamos procurando, nosso grande tesouro.
Aqui a dinâmica será a mesma. Cada reflexão (artigo) que você encontrará neste espaço é um convite para observar algo que talvez tenha passado despercebido, e uma descoberta levará a outra, algumas serão extremamente desconfortáveis, outras serão libertadoras, muitas provavelmente serão as duas coisas ao mesmo tempo.
Mas todas possuem o mesmo objetivo: ajudá-lo a encontrar aquilo que foi se perdendo ao longo do caminho.
Meu propósito é ajudá-lo a enxergar com mais clareza aquilo que influencia sua vida sem que você perceba, porque ninguém muda aquilo que não consegue ver.
E talvez a maior parte da sua jornada ainda não seja sobre encontrar respostas, talvez seja sobre encontrar as perguntas certas. Essa é apenas a primeira pista.

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